A possibilidade de usar células tronco para regeneração de diversos tecidos abriu um campo novo muito promissor na medicina.
Já há algum tempo, em torno de 7-8 anos temos tido notícias de pesquisas com sucesso em obter óocitos e espermatozóides a partir de células tronco de camundongos, numa tentativa de se entender e reproduzir os caminhos que um dia possam nos levar ao mesmo processo nos humanos. É bem verdade que diversos grupos britânicos, japoneses, chineses têm obtido sucesso na reprodução destes tecidos, para melhor compreensão do que acontece conosco, e não especificamente para obtenção de células germinativas que possam ser usadas na prática clínica.
Certamente os avanços estão sendo muito rápidos e em outras áreas já podemos falar em terapia com células tronco, especificamente com grandes avanços na hematologia (Doenças do sangue), cardiologia e doenças neurológicas.
Porque não também com células germinativas – oócitos e espermatozóides?
Tem-se demonstrado que é possível, pelo menos em camundongos, que esta diferenciação celular a partir de células indiferenciadas (as células tronco), seja possível sendo, portanto o primeiro passo seguro para depois se reproduzir em humanos. Assim, ainda não é de uso na prática clínica a utilização desta alternativa, para quem não possui mais oócitos ou espermatozóides, mas creio que logo poderemos ter esta alternativa, como acontece em outras especialidades.
Vimos com grande alegria que um grupo brasileiro de pesquisadores publicou em revista internacional – o Journal Translactional Medicine, um trabalho identificando as trompas uterinas como mais uma fonte muito importante de células tronco , e que estas células foram capazes de se transformar em células de diversos tecidos como músculo, gordura e cartilagens. Outras fontes também são capazes de se diferenciar nestes tecidos, como as obtidas de cordão umbilical, polpa dentária, tecido adiposo. A característica importante realçada foi que são tecidos originários de fontes de materiais que iriam ser descartados em cirurgias, por exemplo.
É interessante notar que estas células da trompa uterina têm a mesma origem do tecido endometrial, que estão associados a extraordinária capacidade de regeneração pós-menstrual após procedimentos cirúrgicos (como as curetagens) e que as células tronco estariam envolvidas neste processo regenerativo. Pois bem, estes tecidos oriundos da trompa tem a capacidade dinâmica de grandes mudanças endócrinas, no ciclo menstrual, incluindo crescimento e regeneração tecidual, para suportar o único ambiente necessário para a manutenção e viabilidade dos gametas masculinos e femininos, a fertilização e desenvolvimento embrionário inicial, assim como o seu transporte até o útero.
Muitas especulações têm sido feitas também sobre outras proteínas importantes no processo de fertilização humana, que são encontradas em altos níveis nestes tecidos, relacionando a mesma origem celular para o sucesso e manutenção dos estágios iniciais do desenvolvimento embrionário.
Não custa sonhar que, um dia, teremos mais esta alternativa para ajudar os casais que querem ter um filho!
Dr. Joaquim R.M. Coelho (CRM: 42.069)
InFert – Instituto de Fertilização Assistida
www.InFert.com.br


22 de dezembro de 2009
Infert
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