ENDOMETRIOSE – O mal do século…que passou!

Endometriose

Há muito se estuda a endometriose sem, contudo, termos algo que realmente nos leve à origem do problema.

Sabe-se que a endometriose é o tecido que menstrua todo mês (endométrio) que se aloja e cresce em outros locais que não a parte interna do útero, onde é seu lugar correto de estar. Com isto, a presença de sangue fora dos vasos sanguíneos é interpretada pelo organismo como um sinal de alerta e daí seu principal sintoma, que é a dor, embora em muitos casos esta não ocorra.

A dor tem a característica de ser de forte intensidade, em cólica ou pontada, progressiva e pior, principalmente no período menstrual.

A Endometriose do tipo que ocorre na musculatura uterina é a mais comum nas pacientes em período fértil, em geral ocorre após uma gestação e se dá o nome particular de adenomiose. Já as de outra localização, em geral estão associadas à incapacidade de engravidar (infertilidade).

Portanto, os dois principais sintomas que chamam a atenção para a endometriose são a dor e a infertilidade.

Uma das hipóteses mais aceitas da origem da endometriose é do refluxo na menstruação (menstruação retrógrada) de tecido endometrial pelas trompas, caindo na cavidade abdominal, onde pode ocorrer o implante destes tecidos em qualquer local por contigüidade, quer em peritônio (fino tecido de revestimento de todos os órgãos abdominais), trompas, ovários e intestinos.

Outra hipótese surgiu pelo fato muito curioso de se encontrar focos de endometriose em locais muito distantes e estranhos, como em mucosa do nariz. Esta hipótese (Metaplasia Celômica) sugere que células indiferenciadas destes locais possam se diferenciar em tecido endometrial, originando estes focos. Outra hipótese seria da disseminação linfo-hematogênica, onde as células teriam sua distribuição pela corrente linfática e sanguínea.

Os tratamentos podem se dividir em clínico, cirúrgico ou misto, uma “mescla” das duas técnicas.

Para o tratamento clínico são usadas drogas que tentam esgotar o desenvolvimento do tecido endometrial, com possível atrofia posterior destes focos. As drogas são de ação local como a progesterona e seus derivados, ou drogas que tentam bloquear os hormônios cerebrais que controlam a menstruação, e como conseqüência ocorre a parada da menstruação no período de uso destas drogas, retornando ao normal com a sua interrupção.

O problema é que muitas vezes os focos de endometriose também voltam a “menstruar”, sendo necessário encaminhar para cirurgia.

A cirurgia de endometriose não segue padrões rígidos em suas técnicas, porque esta é uma doença com muitas variantes, sendo necessário traçar um plano cirúrgico somente após a investigação in loco do grau de acometimento, para se chegar a uma conclusão do plano de tratamento. Isto se chama estadiamento da endometriose, um passo muito importante.

Não havendo definição quanto a gravidez futura, a cirurgia deve ser o mais conservadora possível, cauterizando os focos visíveis de endometriose, evitando-se cirurgia mutiladora.

As cirurgia radicais, com retirada do útero ou ovários deve ser reservada às pacientes que já tenham sua prole definida, que tenham outras patologias associadas (miomas, por exemplo), e que tenham insucesso anterior no seu tratamento.

Um dos melhores tratamentos para esta patologia é a gravidez, porque há uma inundação fisiológica dos hormônios próprios que preparam o corpo da mulher para sua evolução, com resultados brilhantes para a regressão da endometriose. Portanto, se há o desejo da gravidez, deve-se utilizar inclusive das técnicas de Reprodução Assistida (bebê de proveta) para se conseguir uma gravidez o mais rápido possível, evitando-se sofrimentos e riscos desnecessários.

Para a adequada avaliação da doença e eventual necessidade de tratamentos em Infertilidade, é indicada a consulta em uma Clínica de Reprodução Assistida.

Dr. Joaquim R.M. Coelho (CRM: 42.069)
InFert – Instituto de Fertilização Assistida
www.InFert.com.br

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